2009-06-02

Glória de Sant’Anna


Há pouco, pelo noticiário das 17.00 horas transmitido pela Antena 2, soube que a Glória de Sant’Anna falecera. Hoje, na casa em que se exilara depois de abandonar Moçambique e a sua cidade de Pemba (então Porto Amélia). Para a generalidade dos cidadãos portugueses será só um nome, indiferenciado como tantos outros. Para alguns, mais curiosos, foi (ou será lembrada como) a mãe de Rui Paes, seleccionado pela Madona para ilustrar um dos seus livros infantis. Porém, para quem lê e ama a poesia, sobretudo para quem lê e ama a poesia de Moçambique, Glória de Sant’Anna é (e será) um nome eterno.

Ns ruas do velho Chuabo, eu e o Diniz (Sebastião Alba) liamos os seus versos, diziamos alguns dos seus poemas. Num dos Encontros promovidos pelo Centro Juvenil da cidade, eu dediquei o espaço de poesia à Glória de Sant’Anna. E a Tó Brandão (do RCM, Rádio Clube de Moçambique), cumplíce, disse – como já escrevi noutro local – um dos seus poemas mais íntimos: Maternidade.

Nesta nota, brevíssima, escrita na penumbra da mágoa pela perda de uma voz amiga, insisto em lembrar(-me) que “Eu um dia serei uma poalha de vento”…

"Epitáfio

Eu um dia serei uma poalha de vento
pousando inadvertidamente em tua face

e me sacudirás

Eu um dia serei uma réstea de chuva
caída por acaso em tua fronte

e me sacudirás

E eu um dia serei a última lembrança
imponderável já na tua mente

e então me esquecerás"

…………………………………..
Ilustração: Imagem recolhida em
Porto Amélia - Pemba - Poesia

2 comentários:

bissaide disse...

Belo e sentido texto.

Não tive o privilégio de conhecer a poetisa Glória de Sant'Anna, mas registo aquela que penso que seja a única canção gravada (em 1969) a partir de texto seu: "Poema do Mar", com música e interpretação de Mário Piçarra, filho do cantor Luís Piçarra.

JAIME disse...

Agradeço anote o novo endereço onde se pode ler, em resumo, a bela história e obra da poetisa do mar azul de Pemba,Glória de Sant'Anna:
http://pesodaregua.com.br/gloria.html

Creia Amigo que fica só a saudade para clarear as trilhas pedregosas do hoje, quando nossas referências são delapidadas pelo implacável tempo!

Abraço,

Jaime Luis Gabão